Para alguns, trata-se de uma “obrigação estratégica” para combater o crime organizado. Para outros, é uma “ingerência direta” americana no Paraguai.
O presidente paraguaio, Santiago Peña, sancionou há alguns dias o Acordo do Estatuto das Forças (SOFA, na sigla em inglês), assinado com os Estados Unidos.
O convênio autoriza e regulamenta a presença temporária de pessoal civil e militar do Pentágono e de empresas americanas no Paraguai, para realizar atividades relacionadas à entrada de veículos, treinamento e exercícios militares.
A iniciativa foi definida em dezembro entre o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e o chanceler paraguaio, Rubén Ramírez Lezcano. O Congresso do Paraguai ratificou a decisão na semana passada.
“Trata-se de um acordo internacional que estabelece o marco jurídico para facilitar a cooperação e o treinamento conjunto em termos de segurança e defesa”, informou o governo paraguaio, em breve comunicado.
O Departamento de Estado americano confirmou à BBC que o convênio realizado com o Paraguai constitui o “padrão-ouro” neste tipo de acordo.
O deputado governista Juan Manuel Añazco, do Partido Colorado, defendeu a iniciativa. Ele afirma que esta é uma “obrigação estratégica” do seu país.
“Trata-se de estabelecer regras claras, transparentes e jurídicas para uma cooperação internacional já existente e que, hoje, não possui marco normativo apropriado”, defendeu o deputado ao jornal paraguaio ABC Color.
Mas o acordo com Washington dividiu o Congresso paraguaio e acendeu os debates.
Os críticos afirmam que a iniciativa outorga privilégios excessivos aos Estados Unidos, estabelecendo uma relação desigual em matéria de segurança entre os dois países.
O deputado de oposição Adrián Vaesken, do Partido Liberal, defende que “celebrar este acordo é ser um verdadeiro antipatriota”. Já o dirigente da Frente Guasu, Sixto Pereira, definiu o convênio como “ingerência direta”.
O acordo foi aprovado três dias depois da participação de Peña na reunião de cúpula Escudo das Américas, uma iniciativa de segurança do hemisfério promovida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ela aprovou a criação de uma Coalizão Anticartéis das Américas.
Mas o que inclui o acordo assinado entre o Paraguai e os Estados Unidos? E por que ele gera tanta polêmica?