O presidente Lula recebeu um convite do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para integrar o chamado “conselho de paz” voltado à Faixa de Gaza. Segundo interlocutores do Planalto, o brasileiro ainda não decidiu se aceitará o convite e só deve avaliar a proposta na próxima semana.
O governo brasileiro também não pretende se manifestar oficialmente sobre o assunto antes da decisão do presidente.
Neste sábado (17), o presidente da Argentina, Javier Milei, confirmou ter sido convidado para o colegiado. Ao divulgar uma imagem da carta enviada pela Casa Branca, Milei afirmou, em publicação na rede social X, que será “uma honra” participar da iniciativa, que será presidida por Trump e contará com a presença do secretário de Estado americano, Marco Rubio, e do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair.
“À primeira vista, o convite parece honroso, mas pode se transformar em uma armadilha diplomática se o Brasil for chamado apenas para legitimar uma agenda já definida pelos Estados Unidos”, afirmou.
Também foram convidados o bilionário americano Marc Rowan e Robert Gabriel, assessor de Trump no Conselho de Segurança Nacional. O próprio presidente dos Estados Unidos comandará o conselho.
Trump anunciou a criação do órgão na sexta-feira (17), como parte da segunda fase do plano apoiado por Washington para encerrar a guerra em Gaza. Ao apresentar a iniciativa, o republicano afirmou que se trata do “maior e mais prestigiado conselho já reunido”. Segundo a Casa Branca, o grupo discutirá temas como fortalecimento da governança, relações regionais, reconstrução, atração de investimentos e financiamento em larga escala.
Paralelamente, Trump designou o major-general americano Jasper Jeffers para comandar a Força Internacional de Estabilização em Gaza, que terá como missão garantir a segurança no território palestino e treinar uma nova força policial para substituir o Hamas.
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Dilema diplomático para o Brasil
Desde o início do conflito, em outubro de 2023, Lula tem adotado um discurso crítico às operações militares de Israel na Faixa de Gaza, defendendo um cessar-fogo imediato e a criação de um Estado palestino. Essa posição, reiterada em discursos e fóruns internacionais, contrasta com o convite feito por Trump, aliado do governo israelense.
Fonte: CBN