O desembolso recorde ocorre em ano eleitoral e acompanha a promessa do Palácio do Planalto de acelerar a execução dos recursos indicados por deputados e senadores. O montante supera mais que o dobro dos R$ 634,53 milhões pagos no mesmo intervalo do ano passado, em valores corrigidos pela inflação. Até então, o maior volume havia sido registrado em 2021, com cerca de R$ 770 milhões.
O levantamento considera dados do painel Siga Brasil, da Consultoria de Orçamentos do Senado, e abrange os valores pagos entre 1º de janeiro e 6 de fevereiro. Todos os recursos quitados no período referem-se a emendas apresentadas em anos anteriores e inscritas como restos a pagar.
De acordo com a Folha, integrantes do governo atribuem a liberação recorde a um esforço para recompor a relação com o Congresso Nacional, após críticas da própria base aliada, no ano passado, pela baixa execução das emendas. A situação começou a se destravar após o Planalto se comprometer a executar as emendas de 2025 até dezembro, quando cerca de 97% do total foi empenhado, acelerando os pagamentos em 2026.
O ritmo de liberação também depende do andamento das obras financiadas e de exigências de maior transparência impostas após questionamentos no STF, que condicionaram os repasses à apresentação de planos de trabalho e dados detalhados.
Ainda conforme a reportagem, em janeiro, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), afirmou que o governo cumpriria a determinação de antecipar o pagamento das emendas antes do período eleitoral, especialmente as transferências fundo a fundo até junho.
Apesar do volume já pago, o Planalto ainda não iniciou a liberação das emendas de 2026, destaca o texto. Até 6 de fevereiro, o foco foi destravar repasses de anos anteriores: cerca de R$ 1 bilhão corresponde a emendas de 2025, R$ 180 milhões a 2024 e R$ 103 milhões a 2023.